Aconselhamento Bíblico Noutético. O que é e quem pode exercê-lo?

O vocábulo grego nouthétesis de onde temos o termo transliterado  Noutético, que em português equivale a admoestar, exortar e ensinar é rico de significação e não possui equivalente exato em português. O comentarista A. T. Robertson traduz a palavra grega que aparece em Colossenses  1.28 pela designação “por sentido em”. Significando assim que a palavra Noutético tanto revela um poder teórico quanto prático. Não seria apenas algo que eu fico sabendo da parte de Deus, mas algo que tem o poder de renovar minha mente e, consequentemente, alinhar a minha vontade a dele.

O conselheiro, verdadeiramente bíblico, preocupa-se em colocar Cristo no centro do seu aconselhamento. Sua interpretação das questões que lhe são trazidas é mediada pela Bíblia. Esta linha de aconselhamento não apenas salpica de versículos os conselhos dados as pessoas, mas interpreta, identifica os ídolos do coração e de forma diretiva apresenta a graça e a vontade de Deus reveladas nas sagradas Escrituras.

Para o conselheiro Noutético a Bíblia apresenta três fontes originadoras de problemas pessoais na vida diária: a atividade dos demônios (sobretudo a possessão), o pecado pessoal e as enfermidades físicas. Essas fontes estão inter-relacionadas entre si (Adams E. Jay, Manual do Conselheiro Cristão, pg.; editora Fiel). Nenhuma elas é desprezada e todas são tratadas a luz da revelação de Deus.

Ainda que todos sejam chamados para aconselhar e que a Bíblia deixe isto claro, “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seus corações” (Colossenses 3.16), ela também deixa claro as características de quem se envolve com este ministério.

O conselheiro deve ser alguém habitado pela palavra de Cristo. Isto significa que ele é crente no Senhor Jesus e cheio de compromisso com a revelação de Deus. Revelação esta que ensina principalmente o que o homem deve crer em relação a Deus, e o que Deus requer do homem.

Ainda que todo povo de Deus possa participar desta obra de aconselhamento Noutético, ela é especialmente de responsabilidade do pastor ou ministro da Palavra. Isto significa que ainda que todos os crentes possam exercer este ministério ou não, o pastor não tem esta possibilidade de não exercê-lo. Mesmo aqueles que não o exercem tanto de forma particular como outros, eles devem exercê-lo nas pregações públicas da Palavra.

Que Deus possa usar sua vida para fortalecer os salvos e anunciar salvação aos perdidos. Deus te guarde e te use para louvor de sua glória.



A luta pela igualdade dos iguais.

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Livrar-se de uma cultura aristocrata é mais difícil do que se imagina. O desejo de crescer e de prosperar, para um considerável número de pessoas, passa essencialmente por deixar de ser igual e passar a ser admirado e invejado por seus iguais. Este sempre foi o supremo alvo de uma alma “aristocraçada”.

Uma das coisas que fascina essa classe é a titulação. Os senhores queriam ser chamados de barões. E os barões tinham o desejo de serem identificados com títulos cada vez mais sofisticados. Fazia-lhes muito bem ouvir seus nomes precedidos por algum título.

A igreja evangélica tem, nos últimos anos, experimentado a febre das titulações. Bispos, Apóstolos e Pai-póstolos confirmam isto. O grande número de líderes, de ambos os sexos, não se sentem confortáveis em serem identificados como pastores e muito menos por servos ou escravos.

De onde vem essa obsessão dos que desejam os títulos e de grande parte do povo que os aceita sem nenhum tipo de constatação? A esta pergunta cabem duas respostas: vem do pecado original e da cultura aristocrata que ainda tem frutos no solo de nosso país.

Entende-se por pecado original a corrupção da natureza humana. Após criar o homem a sua imagem e semelhança, Deus ordenou que  desfrutasse de toda a criação e apenas não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal – Símbolo de uma independência da sua vontade. Comer deste fruto significaria dizer pra Deus que eles não queriam ser governados.

O Brasil foi colonizado por Portugal, país responsável por ensinar ao povo a cultura aristocrata. Eles também trouxeram um cristianismo comprometido com uma simbologia que mais lembra o império romano do que um mestre com doze discípulos na Judéia.

Com este pano de fundo aristocrático e religioso não é de se espantar que a escravidão tenha sido acolhida sem muita resistência. Afinal de contas onde não há igualdade, nada mais normal do que existirem pessoas com privilégios. Mesmo que seja o de usar o meu semelhante para satisfazer as minhas necessidades.

O que o cristianismo bíblico tem a dizer sobre esse assunto?

Segundo a palavra de Deus, todos fomos criados da mesma matéria prima e com o mesmo objetivo. Você não tem sangue azul. O fato de ter nascido em uma determinada família ou ser líder de um pequeno ou grande grupo de fiéis de uma igreja não o torna mais especial que os demais seres humanos. Você, e a mulher que não tem um teto pra abrigá-la vieram do pó da terra e para lá retornarão.

Se existe alguma diferença entre nós, ela sempre será na esfera das funções, e nunca da natureza. A sintexe bíblica é amar a Deus servindo o próximo.

Devemos resistir a essa cultura escravocrata que nos leva a admirar os modernos “senhores”. Precisamos aplaudir homens e mulheres que servem o seu próximo dignificando-os por meio de suas vocações ou serviços e colocar-nos contra a cultura da titulação que distingue aqueles que nasceram para serem iguais.

Que Deus nos ajude por meio de sua graça. 

Por que um considerável número de pastores evangélicos estão encantados com o Papa?

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Alguma coisa está muito errada na vida dos pastores evangélicos brasileiros. Colegas estão escrevendo textos e falando abertamente da profunda admiração pelo atual Papa Francisco. Alguns chegam a chamá-lo de irmão Francisco. Por que tamanha admiração? Ele realmente é um homem de Deus digno de ser imitado como o apóstolo Paulo? É alguém que pregou o evangelho de Jesus em nosso país? 

Eu não concordo com a idéia de que ser evangélico é não ser católico. Longe de mim crer e divulgar tal crença. Contudo, estou estupefato diante da postura não bíblica como o Papa tem sido recebido em nossos país. Podemos ser acolhedores e respeitosos sem omitir nossos posicionamentos doutrinários que impossibilitam nossa comunhão, ao ponto de nos chamarmos de irmãos.

Uma igreja que não é guiada pela doutrina que emana da revelação bíblica é facilmente fascinada com o carisma. Não é de se estranhar o encanto de alguns pastores. Eles só conseguem enxergar o sucesso de Francisco e seu jeito de vovô gente boa. Como isto pra eles é essencial, explica-se parte do encantamento.

Um idólatra nunca deve ser por nós admirado. O Papa é alguém governado por crenças idólatras e é um motivador destas crenças. Ele incita pessoas a adorarem e reverenciar mortos. Prática que Deus abomina em toda a sua Palavra.

Em nenhum momento ele pregou o evangelho em nosso país. Dizer que devemos seguir o exemplo de Cristo ou buscarmos a pobreza não é pregação do evangelho. O evangelho são as boas novas de salvação que nos foram outorgadas pela graça de Deus. Francisco pregou a Lei de Deus. E, se você é um legítimo protestante, sabe que a Lei não salva.

Devemos orar pelo Papa. Ele foi enfático em pedir-nos oração. Vamos orar pra que Deus tenha misericórdia dele e o salve. Que ele experimente a benção que alcançou homens e mulheres ao longo dos séculos, incluindo um católico proeminente chamado Martinho Lutero. 

 

Estamos Acordando

 

 

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Não desejo fazer um apanhado histórico para explicar nosso estado de sono profundo diante dos abusos que sofremos há séculos. Só quero celebrar o fato de estarmos acordando do nosso sono da indiferença social. Vários são os fatores que estão contribuindo para este despertamento: destaco o desconforto da classe média e a impunidade dos corruptos do poder público.

Não quero me juntar aos precavidos e senhores da cautela. Vou com a minha família para as ruas. No que isto vai dar? Já deu. Estamos mostrando que estamos vivos e que não nos identificamos com essas práticas. Queremos gerar uma nova cultura. Não precisamos ser o povo conhecido pela bunda das mulatas ou pela genialidade dos jogadores do passado. Vamos construir um país onde o professor seja admirado e ganhe os maiores salários. Uma terra onde os homens públicos sejam preparados e honrados. Onde a violência aconteça apenas por decisão da pessoa e não por incentivo da negligência pública.

Considero-me um realista com esperança. Não sou ingênuo de acreditar que passeatas divorciadas de outras iniciativas vão mudar a história da nação. No entanto, não quero ser lembrado como alguém que em meio a este turbilhão de acontecimentos opta por dizer: isto não vai dar em nada! Deus me livre de ser um realista sem esperança.

Que Deus me ajude a doar todos os dias da minha vida para pregar o seu evangelho e servir o meu próximo. 

 

Jonas, teólogo idólatra.

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Jonas conhecia a Deus. Ele é identificado como alguém que deve levar a Palavra do Senhor a outros. Ele era um profeta. Homens dessa envergadura eram porta vozes de Deus no Antigo Testamento. Eram eles que revelavam, não poucas vezes, vontade de Deus por meio de suas pregações. No caso de Jonas, o Senhor o designou para que fosse a cidade de Nínive e pregasse uma palavra de juízo aos seus habitantes.

Jonas interpretava a Deus e a sua vontade como um bom teólogo. Já ouvi dizer que nem todo teólogo é crente, mas que todo crente é teólogo. Se entendermos teologia como o estudo de Deus ou o que Ele se deu a conhecer na consciência, na criação e sobre si mesmo em sua Palavra, qualquer afirmação, negação ou dúvida relacionada a Ele é um pensar teológico. Creio que tal afirmação é plausível.  

A idolatria do teólogo Jonas pode ser encontrada em sua interpretação sobre a ação misericordiosa de Deus em salvar os Ninivitas. Lemos a seguinte declaração de Jonas no capítulo 4.2: Ele orou ao Senhor: “Senhor, não foi isso que eu disse quando ainda estava em casa? Foi por isso que me apressei em fugir para Társis. Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que promete castigar, mas depois se arrepende. O ídolo do coração deste profeta é a vingança.

Jonas idolatra uma visão de misericórdia pessoal e nacionalista. Ele não é alguém que não sabe quem é Deus, nem o que ele pode realizar a partir de quem ele é. O problema deste homem de Deus é não aceitar que a misericórdia de Deus seja dispensada aos seus inimigos estrangeiros.

Jonas tornou-se escravo de um ídolo chamado vingança. Todos os seus movimentos de fuga devem ser interpretados a partir desse desejo último e governador de seu coração. A força deste desejo pode ser visto no ato insano dele de fugir da presença do Senhor de toda terra. Por não querer fazer a vontade de Deus, este profeta  também não quer a sua presença.

Identificar o ídolo que influencia os nossos movimentos é algo imprescindível. O ídolo de Jonas governa suas emoções e ações. Ele cria um mundo paralelo ao de Deus como se isso fosse possível. Ele crer ser legítimo tudo que ele sente e faz. Ele realmente é alguém que vive o processo de auto-engano.  

Nenhum cristão encontra-se livre de experimentar algum grau de idolatria. Mesmo sendo um servo de Deus, Jonas é alguém que viveu uma intensa experiência de idolatria. As experiências sobrenaturais, o ministério frutífero e a misericórdia não surtiram efeitos imediatos em sua vida.

Acredito que a história de Jonas é a história do homem que não levou a sério a força dos ídolos do coração. Não seja ingênuo quanto a força do pecado. Mesmo que ele não reine mais sobre a vida dos redimidos ou salvos, ele ainda age na tentativa de conduzir-nos a idolatria. Creia no Deus invisível criador dos céus e da terra. Deposite sua fé em seu Filho Jesus que morreu a nossa morte a fim de vivermos sua vida. Dependa do Espírito Santo para se mover nesse mundo sedutor.

O que tenho da história de Jonas só me permite dizer que o ídolo rouba-nos de desfrutar da maravilhosa graça de Deus. Quebre o seu ídolo hoje e deposite toda a sua confiança naquele que te ama com amor eterno. Amém.

 

 

 

A essência da gratidão.

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Deus é tão bom pra mim. Você já disse isso ou já ouviu essa declaração alguma vez? Aposto que sim. Apostar não, porque é pecado. Considerar Deus bom é aparentemente simples para alguns e profundamente complexo para outros. Afinal de contas, não poucas vezes, me deparo com manifestações de Deus que são detestáveis e inapropriadas para o “meu” padrão. 

Eu não sou tão bom pra mim. A Bíblia é enfática em sua denuncia acerca da nossa natureza pecaminosa, adquirida após a queda ou entrada do pecado em toda a criação. Seja por meio de mandamentos ou narrativas detalhadas, ela deixa claro que é da nossa natureza pecar assim como do cão latir. O nosso pecado se manifesta de maneiras e formas diversas. Variando entre sermos senhores de tudo e todos, chegando até a pensar que somos o centro do Universo.

Destronar Deus é o principal movimento que o nosso coração pecaminoso insiste em realizar. Mesmo após ser regenerado ou trocado por um de carne, ele permanece sendo assediado pelo pecado. Sua principal proposta sugere que Deus não deve reinar, mas sim sujeitar-se aos nossos desejos. Que acreditamos serem santos, perfeitos e agradáveis. O pecado insiste em dizer-nos que nós sabemos o que é melhor para as nossas vidas.

Deus é um estraga festa. Os governantes nunca são bons. Pelo menos é o que a maioria de nós experimenta ou é levado a crer por vozes influentes. Podendo algumas delas serem diabólicas. Acreditar que Deus e a sua vontade são as melhores coisas da vida é um desafio e tanto para quem é habitado pelo pecado.

Enquanto a fé nos fala de confiarmos plenamente em Deus e na sua vontade, o pecado nos remete a desconfiarmos de tudo que ele é e faz soberanamente em nossas vidas.

A nossa grande necessidade hoje é nos definirmos pelo evangelho. Ainda que o assédio do cristianismo cultural seja intenso, entendo que precisamos afirmar a verdade revelada sobre nós e todos aqueles que nos cercam. Sejam eles cristãos ou não.

Comecemos por definir a luz do evangelho o que seria uma pessoa boa. Uma pessoa boa, biblicamente falando, é alguém com um coração grato a Deus pelo envio de seu Filho Jesus para nos salvar. Toda pessoa boa tem convicção dos seus pecados e tem clara consciência da necessidade de um salvador. Essas pessoas não acreditam que as coisas que fazem ou deixam de fazer as incomenda a presença de Deus. Elas realmente se identificam como gente que foi alvo da maravilhosa graça de Deus.

 Que temas deveriam governar o nosso coração quando o assunto é gratidão?

Em primeiro lugar Cristo. Nada nem ninguém é tão digno de receber nossa adoração e louvor quanto ele. Foi o próprio Pai que o colocou nesse lugar de honra. “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;..” (Fl 2.9) Ele, e somente ele, é digno de glória e honra. A imagem dele pendurado em uma cruz, onde deveríamos estar, deve levar-nos a um nível de gratidão mais intenso e profundo. O justo morrendo pelos injustos. O Santo tomando o lugar de pecadores. O servo obediente substituindo rebeldes perversos. Amor incompreensível esse de Deus por nós.

Outro motivo de grande louvor é o fato de Deus ter se revelado a nós por meio de sua Palavra. Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho (Sl 119.105). Deus não nos deixou sem direção nesse mundo de tantas placas falsas e sedutoras.

Cristo é a Palavra encarnada do Pai. Ele é a imagem do som eterno da voz do Deus invisível. Sua Palavra não propõe um sistema a ser seguido, mas uma pessoa a ser deseja e amada com todas as nossas forças e entendimento. Toda a Escritura aponta para Cristo e sua obra redentora. Reduzir a Bíblia a um livro de regras ou manual é uma ofensa ao seu conteúdo.

Ao Espírito Santo também deve ser todo nosso louvor. É ele quem aplica em nossos corações a maravilhosa obra da Redenção. Ele nos consola enquanto aqui caminhamos como peregrinos. Por causa dele, pessoas como nós, que não sabem orar como convém, tem a sua oração traduzida. É ele, o grande responsável pelo nosso convencimento do pecado, da justiça e do juízo. Foi por meio dele que conseguimos enxergar por detrás de sangue seco e uma face carregada de sofrimento um Rei.

Por último, e não menos importante, temos a comunhão com os santos na igreja de Deus. Idealizada e inspirada na própria trindade, a igreja revela a beleza do seu autor na sua multiforme sabedoria.

Ingratos por natureza são todos os homens viventes. Ninguém escapa de ofender os céus de Deus com seu ‘modus vivendi’ de encanto pela criação e desprezo pelo criador. Como se alguma obra pudesse ser mais encantadora do que o seu autor. Homens insanos vivem imersos em seu pecado e escravos de seus apetites carnais que os conduzem a serem mais e mais centrados em si mesmos. Revelando assim, um estilo de vida próprio de quem não tem vida.

Que bom que a história ainda não acabou pra nós. Ainda estamos respirando em meio as páginas do romance de Deus. Talvez estejamos entre o meio e o fim da história. A voz de Deus ainda se faz ouvir em nossos corações e nas pregações de servos de Deus espalhados por toda a terra.

Que sejamos gratos, não por termos alcançado alvos particulares como: compra de uma casa, cura de uma enfermidade ou outras tantas bençãos que porventura tenhamos experimentado. Mas que um profundo louvor pela redenção eterna e definitiva que ocorreu em nossas vidas, seja motivo de derramamento contínuo dos nossos corações diante de Deus Pai.

A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração (Colossenses 3.16).

O Amor Precede a Explicação

 

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Um casal está tendo uma relação sexual casual quando um grupo de religiosos fundamentalistas invade o quarto e apanha a mulher para usá-la num plano ardiloso. Ela seria utilizada na tentativa de apanhar Cristo em alguma falha. Jesus estava incomodando os religiosos da época e precisava ser parado a todo custo.

Eles estavam obstinados em tirar a vida dessa mulher apanhada em flagrante adultério. Mesmo que a acusação do pecado fosse correta, a motivação era encharcada de intensões malignas.

Após apresentarem o caso de adultério a Cristo e exigirem dele um posicionamento, ficaram a esperar o veredicto com pedras em suas mãos. Para frustração deles, e de todos os presentes, Jesus propôs um veredicto diamentralmente oposto ao deles. Jesus propôs uma culpa coletiva.

As palavras de Cristo para esse grupo de religiosos com pedras nas mãos despertou suas consciências. Eles abandonaram os instrumentos de morte e se dispersaram. Essa postura deixou claro que a consciência deles estava morta e que precisavam ser ressuscitadas – Algo que realmente acredito ter acontecido depois que Cristo falou.

Só uma consciência acordada pode sentir-se culpada. A culpa é um claro sinal de que somos seres morais criados a imagem e  semelhança de Deus. Nenhum outro ser vivo sente culpa. Mesmo que seus olhos ou orelhas pareçam dizer que sentem, só seres humanos são dotados desse dispositivo.

A culpa se manifesta de várias maneiras. Tanto ela pode aparecer na forma de violência quanto de fuga. Ninguém pode mensurar o que alguém está sentindo enquanto se sente culpada por algo que fez ou deixou de fazer.

Esses homens viviam atormentados por seus pecados sexuais. Eles queriam atirar pedra em alguém que denunciava aquilo que eles faziam na surdina. Ela, por sua vez, queria que aquilo tudo acabasse e que sua vergonha sumisse. Talvez ela desejasse ser apedrejada, caso esse fosse o único caminho para se livrar da imensa vergonha e reprovação que estava experimentando.

Nossas culpas são gestadas e geradas no íntimo do nosso ser. Elas são tecidas por nossas mãos que desejam tocar no que não é nosso ou em nossos olhos que amam flertar com um mundo sem o Deus moral criador dos céus e da terra.

Creio ser importante levar nossas culpas a Deus. No entanto,  tão importante quanto isso é levar Cristo aos porões de nossas almas. Não devemos esconder do nosso Senhor e Salvador baús da nossa infância, adolescência ou juventude. Não que pense que Deus não saiba desses baús. A questão é o quanto eu e você confiamos nele ao ponto de o levarmos até eles.

Eu não tenho dúvida de que ele sabe o quanto sinto culpa por fazer ou não fazer a sua vontade. Mas, preciso ser sincero e confessar de todo o meu coração os meus pecados mais secretos. As minhas vergonhas mais íntimas. Até aquilo que eu mesmo não gostaria de ouvir se alguém me procurasse pra contar.

A parábola do filho pródigo nos ensina preciosas lições, sendo a principal delas o fato do Pai, representando Deus, receber o filho mais  jovem sem pedir explicações. O acolhimento precede a confissão. Eu não me confesso pra ser recebido, mas sou recebido e acolhido, e por isso me confesso. É por confiar em quem ele é, que tenho coragem de confessar quem eu sou e o que desejo ou mesmo o que fiz ou permaneço fazendo.

Confie na graça e viva motivado pela gratidão a Deus e a sua obra redentora revelada em Cristo Jesus. Eu não fui criado para ser um sucesso, mas para amar e me deixar ser amado pelo meu criador e redentor.  

Recesso – Preciso de um tempo

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Por mais de um motivo, ficarei sem escrever aqui e no twiter.

Vou me exilar de todas as redes sociais por um tempo.
Mais cedo ou mais tarde chega o tempo em que algum ciclo se fecha.
Como preciso saber discernir a minha hora: chegou um momento decisivo em minha vida.

Não escondo a minha profunda dor.
Fui cuspido, difamado e ridicularizado por quem acreditei ser parceiro.
Meu coração sofreu além da conta.
Noto que me resta pouco tempo de vida -não sei quanto, mas estou consciente de que é pouco.

Em Fortaleza, tive que enfrentar um piquete na porta da igreja que eu considerava a menina dos meus olhos.
Depois, oportunistas se sucederam em me esfaquear. Pessoas baixas se revezaram em colocar o meu nome entre os grande apóstatas da fé. A Betesda em Fortaleza praticamente implodiu. A princípio, sofri. Depois, preocupei-me com amigos, parceiros e discípulos. Eles sofriam as consequências de minhas posições. Embora eu nunca, em tempo algum, tenha vendido a alma ao sucesso, não bastou. As pedradas não cessaram.

Eu podia ser outra pessoa. Estou consciente de meus dons e talentos. Sei que poderia tornar-me famoso e disputado entre os maiorais do movimento evangélico. Mas, não sei explicar, preferi o caminho dos proscritos. E a minha história virou piada; fui arrastado ao charco. Dei uma entrevista à revista Carta Capital (eu daria novamente, sem tirar uma vírgula) e os eventos desandaram. Antigos companheiros passaram a me evitar como um leproso. Reconhecer que homossexuais têm direito era um pecado incontornável. Contudo, prefiro o ódio de fundamentalistas e homofóbicos à falta de paz; quero poder deitar a cabeça no travesseiro com a consciência de que defendi o que é justo.

Eu supus ter amigos entre os envangélicos. Enganei-me. Quando a revista Ultimato me defenestrou como articulista, não contei com cinco amigos que ousassem dar a cara a bater por mim. Nessa hora vi o quanto fui usado. Eu não passava de grife, ornando panfletos de eventos. Saí de casa, deixei meus filhos, esqueci meus pais, dormi em hotéis de quinta categoria, para dar credibilidade a conferências chinfrins. Os amigos, que supunha de caminhada, se calaram. Estavam preocupados com eles mesmos na hora do meu linchamento. Os meus verdadeiros amigos se resumiam aos poucos parceiros que sobraram na Betesda e me deram a mão. Só um punhado se solidarizou quando me viu arrastado na sarjeta. Alguns, para minha profunda decepção, se aproveitaram de vírgulas doutrinárias para jogar ainda mais querosene no fogo brando que fundamentalistas acenderam.

Na verdade, estou exaurido. Agora virou questão de saúde. Como não posso respirar, minimamente, o ar dos evangélicos não serve como terapia. Deixei de acreditar na grande maioria dos líderes, pastores, teólogos e missionários evangélicos. Não confio nos que se dizem pregadores da Boa Notícia do Nazareno; e isso é ruim. Depois de presenciar excrescências éticas, depois de ver-me roubado em direitos autorais, depois de usado e sugado não quero mais a piedade plástica e mentirosa dos que se sentem responsáveis pela salvação do mundo. A subcultura religiosa que me acalentou e me fez um homem bem sucedido agora me traumatiza. E quando a gente perde o respeito, acabam-se os argumentos.

Sinto que chega a hora de começar outro ciclo. Não sei como, mas para que aconteça, meu primeiro passo deve ser o exílio das redes sociais. Quanto tempo fico fora deste site e do tuiter, não sei. Mas, igual aos adolescentes quando querem acabar o namoro, digo: preciso de um tempo.

Resta-me a igreja Betesda, minha comunidade de fé na Avenida Alberto de Zagottis, 1000. Ali é minha cidade de refúgio. Continuarei liderando o pequeno rebanho de homens e mulheres que, apesar de toda a propaganda danosa, ainda se reúne para me ouvir nos domingos. Com eles, e por causa deles, continuo.

Saio das redes sociais por recomendação médica; mas, também, por bom siso: preciso procurar alguma caverna, e lá, trocar de pele.

A esquina

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Eu gosto das esquinas. Não por causa da sua estética, mas pela surpresa que pode revelar-me. Alguém pode ter vivido uma triste experiência em alguma esquina. Talvez você tenha sido violentada ou um filho seu foi atingido por um carro guiado por algum motorista bebado. A esquina pra você não o remete a boas lembranças, mas apenas a tragédias.

A esquina pra mim é sinônimo de possibilidades. Não tenho medo das esquinas. Só tenho boas histórias quando penso nelas. Fico a imaginar, como uma criança, que algum mundo mais justo possa surgir quando eu dobrá-la. Penso na possibilidade de encontrar um novo amigo ou rever alguém que muito amo e por alguma razão sumiu da minha vida ou do meu facebook.

A esquina me ensina que a vida não é retilínea o tempo todo. As curvas fazem parte da existência de cada um de nós. Ninguém anda o tempo todo retinho, seja no casamento, criação de filhos, relacionamentos interpessoais, vida profissional ou religiosa.

Os professores deveriam levar os alunos para as esquinas e acomodá-los para uma aula sobre pontos de vista. O grupo que estivesse numa parte da esquina logo descobriria que precisa do outro grupo pra ter a visão do todo. Seria uma boa aula sobre a necessidade de lermos mais de uma obra sobre qualquer assunto. Os estudantes logo descobririam que o ponto de vista de um escritor também tem a ver com o ponto onde ele encontrava-se quando redigiu a sua obra.

As igrejas deveriam ser construídas nas esquinas. Os fiéis aprenderiam a conviver com as pessoas de mundos diferentes. E ela seria desafiada a ser a grande surpresa da vida e não um lugar óbvio e que não dá susto bom em ninguém. Eu realmente acredito sustos que podem ser bons.

A esquina é algo tão forte para alguns que um grupo de mineiros resolveu criar um clube.

Gosto das esquinas. Aprendo quando dobro uma que é possivel recomeçar, mas que todo recomeço precisa ser produto de uma curva aberta ou fechada.

Deus geralmente nos encontra nas esquinas da vida. Ele é aquele que nos surpreende. Ele é a pessoa que inaugura uma nova realidade em nossos olhos. Possibilitando assim, enxergarmos as mesmas coisas com um outro desejo.

Nunca mais olhe para as esquinas do mesmo jeito.   

Ele me encontrou.

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O   cristianismo não é uma busca, como uma porção de gente acredita e divulga, mas um encontro promovido pelo Deus eterno e misericordioso. Eu fui encontrado pelo amor de Deus em Cristo Jesus a vinte e um anos atrás. Eu estava passeando em seu mundo quando ele me encontrou e fez o Espírito Santo  abrir meus olhos para enxergar-me como realmente sou, um ser indiferente ao seu amor, e a perceber como ele me ama e demonstrou isso providenciando um salvador pra mim.

Jesus Cristo é esse salvador que veio me buscar. Ele é que veio encontrar-se comigo. Eu nunca me interessei por sua pessoa e obra. Eu não fui, pela minha família de sangue, instruido sobre o seu valor. Não me recordo de ouvir algo sobre sua obra redentora em minhas aulas de religião na escola. Sempre me impressionou o fato da minha ignorância acerca de quem ele era não o impedir de me encontrar.

Me sinto confortável com alguns temas da fé cristã. Talvez o que mais me fascine depois do amor de Deus seja a sua soberania. Gosto da ideía de ser filho de um Pai todo poderoso. Não sou aquele tipo de filho que deseja explicações acerca das decisões que ele resolve tomar. Sinto-me desconfortávelmente confortável em saber que nada, em absoluto, pode frustar os seus planos. Planos esses, que são sempre bons, agradáveis e perfeitos.

A alguns dias eu e um líder da igreja que pastoreio examinamos um candidato ao batismo. Quando arguido sobre o por que ele queria batizar-se e o que realmente o estava levando aquela decisão, ele respondeu: “A verdade abriu meus olhos.”

A Bíblia nos diz que o conhecimento da verdade nos liberta. Só a verdade de Deus pode penetrar no interior dessas algemas espirituais e arrancá-las de nossos pulsos e pés. Esse cohecimento que liberta não é produto de esmero intelectual, mas de uma mente iluminada pelo Espírito Santo que crê no sacrificio de Cristo em seu favor na cruz do calvário.

O meu grande desafio como ser humano não é encontrar Deus, mas aceitar que ele me encontrou e desejar ardentemente viver me  aprofundando nessa relação inaugurada por ele.

Acordei para mais um dia. Não sei os detalhes que vão adornar mais esse momento de vinte e quatro horas em minha existencia. O que sei, e o que devo permanecer sabendo, é que preciso encontar-me com aquele que me ama com amor eterno. Eu preciso perceber que seu encontro revelou o desejo dele de encontrar-me como nenhum outro ser no universo deseja.

Eu amo ser amado ou eu amo ter sido encontrado. Te amo Jesus.